O Rio de Janeiro tem potencial para se tornar uma das capitais do empreendedorismo. Por isso foi escolhido como o primeiro município a receber o projeto “Cidades empreendedoras”, que será lançado pela Endeavor durante o Global Entrepreneurship Congress (GEC), entre os dias 18 e 21 de março. Mas, para que a transformação ocorra, é preciso desfazer alguns mitos que rondam o tema, alerta o americano Daniel Isenberg, especialista em empreendedorismo e consultor do projeto. Ele esteve no Rio na última semana, reunido com diferentes atores da cena, para trocar informações e fazer um levantamento dos principais obstáculos enfrentados pelos empreendedores e investidores cariocas.
— O empreendedorismo deveria sempre nos surpreender. Para ser empreendedor, é preciso ir contra o mercado: é necessário, por um período, que todos ao seu redor pensem que você deveria estar fazendo outra coisa — afirma Isenberg, professor de prática empreendedora do Babson College e da Columbia Business School.
Entre os mitos: todo empreendedor é jovem
O projeto “Cidades empreendedoras” — que depois deve seguir ao menos para outras seis capitais — pretende estabelecer metas para fomentar o empreendedorismo no Rio. O plano ainda está na fase de estruturação, mas são quatro ideias principais a orientá-lo: redução da burocracia, focando, principalmente, no incentivo ao empreendedorismo nas áreas pacificadas; criação de um centro de referência onde os diferentes stakeholders possam se encontrar; estímulo ao contato entre grandes e pequenas empresas; e maior educação empreendedora.
— Se os líderes nas esferas públicas e privadas estiverem 100% comprometidos com essas metas, assim como estão com os projetos de UPPs e obras de infraestrutura, é possível que, dentro de quatro ou cinco anos, haja um impacto positivo real no ecossistema — garante Isenberg.
O secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, Energia, Indústria e Serviços, Julio Bueno, acredita que o ambiente de negócios tenha melhorado nos últimos anos, mas reconhece a necessidade de avanços.
— Temos tentado melhorar, mas a burocracia brasileira ainda é muito grande nos três níveis de governo. O estado tem muito a fazer, mas é uma questão nacional — afirma Bueno, para quem o Rio tem, sim, o potencial para se transformar em uma das capitais mundias do empreendedorismo. — Uma questão importante que precisamos abordar é a necessidade de haver mais educação para o empreendedorismo.
Isso inclui a desconstrução de mitos referentes ao empreendedorismo. Um deles é o de que somente os jovens têm esse potencial.
— É um grande mito achar que todo empreendedor tem 26 anos. Ao contrário, esses são minoria. Pesquisa da Fundação Kauffman mostra que 52% dos empreendedores americanos têm mais de 40 anos. E essa maturidade só traz benefícios — acredita Marcelo Haddad, diretor-executivo da Rio Negócios, agência de promoção de investimentos para o Rio de Janeiro.
Outra ideia frequente é a associação que se faz entre empreendedorismo e start-up, segundo o professor Isenberg.
— Ninguém é menos empreendedor porque comprou uma empresa que já existia em vez de começar uma nova — afirma o americano, que também acha que é preciso dissociar as noções de empreendedorismo e propriedade. — Ser dono do seu próprio negócio não necessariamente faz de você um empreendedor.
Por último, Isenberg afirma que inovação não deveria ser considerado sinônimo de empreendedorismo, como muitas vezes acontece:
— Frequentemente as duas coisas andam juntas. Mas há muitos empreendimentos que também podem acontecer sem inovação.
O que o professor quer frisar é que empreendedorismo pode envolver juventude, start-ups e inovação, mas também muito mais dos que os estereótipos comuns:
— Há uma quantidade tremenda de oportunidades e a marca do Rio é única no mundo.
Haddad concorda, mas acha que falta melhorar a qualidade dessa marca, incluindo, além de elementos como samba, praia, carnaval e lifestyle, o ambiente favorável aos negócios:
— Ousaria dizer que a marca Rio ainda não é atraente para investimentos e desenvolvimento inovadores. Mas estamos trabalhando para construir uma marca que seja mais simpática também sob esses aspectos.
Foco deve estar em negócios de impacto
O “Cidades empreendedoras” pretende focar em todo tipo de empreendedorismo, mas, especialmente, no de “alto crescimento”, que tem grande potencial para crescer e alimentar uma cadeia de empregos.
— São essas empresas que criam mais da metade dos novos postos de trabalho — explica Amisha Miller, gerente de pesquisa e políticas públicas da Endeavor. — Incentivando o empreendedorismo de alto crescimento, criamos um impacto em toda a cadeia, ajudando a criar microempresas que vão lhes prestar serviços.
Para Marcelo Haddad, diretor da Rio Negócios, é básico que haja prioridade para negócios que gerem diferenciação ao país ou cidade:
— É o que vai gerar patentes para um país, riquezas, tecnologias novas e soluções de problemas. Isso é que vai possibilitar um salto.
Promoção comercial da cidade é fator básico
Haddad lista oito elementos como imprescindíveis ao aumento do empreendedorismo: infraestrutura, educação, ambiente de negócios, crédito, promoção comercial, rede de negócios, cultura empreendedora e mercado interno.
— Em alguns aspectos, o Rio está mais preparado; em outros, como ambiente de negócios e financiamento, ainda precisa melhorar — acredita o diretor-executivo da Rio Negócios.
A força da indústria criativa, o capital intelectual, a crescente comunidade internacional, a cultura da flexibilidade e os eventos esportivos que vêm aí, na opinião de Daniel Isenberg, consultor da Endeavor no projeto, são alguns dos pontos que dão ao Rio condições para se tornar um centro mundial de empreendedorismo:
— Os empresários devem buscar as oportunidades, indo sempre contra o convencional.
— Há setores em que o Rio é forte: petróleo, gás. turismo, TI, telecom. Se eu fosse começar minha vida como empreendedor, olharia para os setores que são mais fortes. Mas é claro que as aptidões individuais devem definir isso também — conclui o secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, Julio Bueno.
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